Restaurante pode ser MEI? Os limites que ninguém explica direito
MEI resolve pra quem começa pequeno — food truck, delivery de casa, carrinho de salgado. Mas tem teto de faturamento, limite de um funcionário e uma pegadinha de atividade. Veja se serve pra você.
MEI é a porta de entrada mais barata pra formalizar um negócio no Brasil: cadastro em minutos, CNPJ na hora, um valor fixo por mês no lugar de imposto sobre o faturamento e direito a INSS. Pra quem está começando com um food truck, um delivery tocado de casa ou um carrinho de salgado, costuma ser o caminho certo. Mas ele tem paredes — e bater nelas de surpresa dá dor de cabeça.
A pegadinha que vem antes do faturamento: a atividade
Todo mundo pergunta do teto de faturamento e ninguém pergunta da atividade — que é onde muita gente tropeça. Nem toda operação de restaurante cabe no MEI. Atividades como lanchonete, comércio de salgados, food truck, marmita e comida sob encomenda e venda de bebidas costumam ser aceitas. Já o CNAE de "restaurante" com serviço completo de salão muitas vezes não está na lista de ocupações permitidas.
Antes de se cadastrar, faça uma coisa de graça: procure a sua atividade na lista de ocupações do Portal do Empreendedor. Se ela estiver lá, ótimo. Se não estiver, o caminho é abrir direto como Microempresa (ME) no Simples Nacional — que a gente explica em imposto para restaurante no Simples Nacional.
Teto de faturamento: R$ 81 mil por ano
O MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano — uma média de R$ 6.750 por mês. Repare que é média: você pode vender R$ 4 mil num mês fraco e R$ 12 mil no Dia das Mães, desde que a soma do ano fique no teto.
Estourou pouco (até 20%, ou seja, até R$ 97,2 mil)? Você paga uma guia complementar e migra pra ME no ano seguinte. Estourou muito (mais de 20%)? A migração é retroativa e vem com imposto sobre o excedente — é o cenário caro, e o que a gente mais vê pegar dono desprevenido. Por isso: acompanhe o acumulado do ano o tempo todo, não só no fim.
Um funcionário, e só
O MEI pode ter um único empregado, recebendo salário mínimo ou o piso da categoria. Pra uma casa de verdade, com cozinheiro, auxiliar e alguém no salão, isso aperta rápido. Se a sua conta de gente já passa de um contratado, o MEI virou uma camisa pequena — e forçar a barra com "ajudante informal" é risco trabalhista que não compensa. Vale ler como contratar equipe de restaurante antes de crescer o time.
O que dá e o que não dá, na prática
- Dá: emitir nota (inclusive NFC-e pro consumidor), vender pra pessoa física sem nota obrigatória, aceitar cartão, entrar no iFood e na 99Food com CNPJ, ter conta PJ;
- Não dá: passar do teto, ter sócio, ter mais de um funcionário, abrir filial. MEI é um dono, um ponto, uma operação enxuta.
Sobre nota: mesmo no MEI, se o cliente pede, você emite. E dependendo do seu estado e do seu volume, a NFC-e pode ser exigida — vale conferir em restaurante é obrigado a emitir nota fiscal?.
Os sinais de que chegou a hora de virar ME
- O acumulado do ano está caminhando pra perto dos R$ 81 mil antes de dezembro;
- Você precisa do segundo funcionário pra dar conta do movimento;
- Apareceu a chance de um sócio, uma segunda unidade ou um investidor;
- Um cliente PJ importante exige um tipo de nota que o MEI não cobre.
Migrar pra ME não é fracasso — é o negócio crescendo. Muda o enquadramento e entra contador na jogada, mas a operação continua a mesma. O erro é chegar em dezembro com o teto estourado e descobrir tudo de uma vez. Comece a olhar os números cedo: um painel que mostra o faturamento acumulado resolve isso sem planilha.
Resumo pra decidir hoje
Começando pequeno, com uma atividade que está na lista e faturamento abaixo de R$ 6,7 mil/mês? MEI, sem dúvida. Já nasce com dois funcionários, sócio ou projeção acima do teto? Pule direto pra ME e evite migrar correndo depois. E antes de qualquer coisa, confirme a atividade — é o passo que a maioria pula e o que mais dá problema lá na frente. O resto da papelada está em documentação para abrir restaurante.