Documentação pra abrir restaurante: CNPJ, alvará, licenças
A papelada assusta mais do que deveria — o segredo é a ordem certa e começar cedo. A lista completa, o que cada órgão exige e os prazos de verdade.
Ninguém abre restaurante pelo prazer de ir à prefeitura. Mas operar sem licença é multa, interdição e até processo — e a maioria dos atrasos de inauguração é papelada que começou tarde. A boa notícia: seguindo a ordem certa, é tudo administrável.
Antes de tudo: consulta de viabilidade
Não assine contrato de aluguel antes disso. A consulta de viabilidade (na prefeitura, muitas vezes online pelo portal da Redesim) responde se aquele endereço pode receber um restaurante. Zoneamento urbano reprova mais endereço do que se imagina — e descobrir depois da reforma é o pior cenário possível.
1. CNPJ — e o CNAE certo
Com viabilidade aprovada, o contador registra a empresa. Decisões que importam:
- MEI quase nunca serve pra restaurante: o limite é R$ 81 mil/ano (menos de R$ 7 mil/mês) e um único funcionário. Serve no máximo pra operação muito pequena de comida em casa. O caminho normal é ME no Simples Nacional;
- CNAE principal: 5611-2/01 (restaurantes e similares). Lanchonete costuma usar 5611-2/03. O código errado gera problema de tributação e de licença lá na frente;
- Contador que atenda restaurante: o setor tem particularidades (CFOP de alimentação, regimes de ICMS por estado). Um bom contador do ramo se paga.
Prazo típico: alguns dias a 2 semanas.
2. Alvará de funcionamento
É a licença da prefeitura pro seu negócio existir naquele endereço. Exige CNPJ, contrato do imóvel, viabilidade aprovada e, em muitas cidades, o habite-se do imóvel. Cidades grandes têm alvará provisório pra baixo risco — restaurante, por envolver alimento e gás, às vezes fica fora do rito expresso. Prazo: de 15 dias a 3 meses, dependendo da cidade.
3. Licença sanitária
A vigilância sanitária vai visitar sua cozinha, e é aqui que reforma malfeita volta pra assombrar. O que os fiscais mais olham:
- Revestimentos laváveis em piso e parede da cozinha (azulejo, não tinta comum);
- Pias separadas pra higienização das mãos e de alimentos;
- Telas nas janelas, proteção contra pragas, lixeiras com pedal;
- Fluxo correto: alimento cru não cruza com pronto; recebimento não passa pelo salão;
- Controle de temperatura de geladeiras e freezers (planilha ou sistema);
- Curso de boas práticas pro responsável (exigido em vários estados, e barato).
Dica de ouro: baixe a RDC 216 da Anvisa e o checklist da vigilância da sua cidade antes de reformar. Construir certo custa muito menos que corrigir.
4. AVCB — bombeiros
O Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros atesta que o espaço é seguro: extintores, saídas, sinalização, iluminação de emergência e, ponto crítico em restaurante, a central de GLP — botijão dentro da cozinha reprova na hora; a norma pede área ventilada externa. Espaços maiores exigem projeto técnico assinado por engenheiro. Prazo: 2 semanas a 2 meses.
5. O resto da lista
- Inscrição estadual e credenciamento pra emitir NFC-e — restaurante vende pra consumidor final, nota é obrigação de todo dia. Precisa de certificado digital A1;
- Licença ambiental em algumas cidades (caixa de gordura, exaustão, ruído);
- Direitos de música (ECAD) se tocar som ambiente;
- Registro dos funcionários (eSocial) antes do primeiro dia de trabalho, não depois.
Quanto tempo e quanto custa, no total
Começando tudo em paralelo, 2 a 4 meses é um prazo realista até a última licença — em cidade grande com imóvel complicado, mais. De custo, entre taxas, projeto de bombeiros, certificado digital e contador, reserve R$ 3 mil a R$ 15 mil.
Papelada não faz a casa vender mais, mas a falta dela fecha a casa no meio do almoço de sábado. Trate como parte do projeto — os outros números do investimento estão em quanto custa abrir um restaurante.