Quanto custa abrir um restaurante em 2026 (números reais)
De R$ 40 mil numa dark kitchen enxuta a mais de R$ 500 mil num salão completo. O que define a conta — e os custos invisíveis que derrubam quem não planejou.
"Depende" é resposta preguiçosa, então vamos aos números. Os valores abaixo vêm de faixas praticadas no mercado brasileiro — variam por cidade e estado do imóvel, mas servem de régua honesta pra você montar a sua planilha.
Faixas de investimento por tipo de casa
- Dark kitchen (só delivery): R$ 40 mil a R$ 100 mil. Sem salão, sem fachada cara, equipamento concentrado na produção;
- Lanchonete / hamburgueria de bairro: R$ 80 mil a R$ 200 mil, dependendo do tamanho do salão e do estado do ponto;
- Restaurante de salão (60–100 lugares): R$ 250 mil a R$ 500 mil ou mais. Reforma e mobiliário dominam a conta;
- Franquia alimentar: some taxa de franquia (R$ 30 mil a R$ 150 mil) ao investimento da unidade — o pacote total raramente sai por menos de R$ 200 mil.
Onde o dinheiro vai, item por item
Numa casa média, a distribuição costuma ficar assim:
- Reforma e instalações (30–40%): a parte mais traiçoeira. Exaustão de cozinha custa de R$ 8 mil a R$ 40 mil; adequação elétrica e hidráulica em imóvel antigo passa fácil de R$ 20 mil. É aqui que orçamento estoura;
- Equipamentos (20–30%): fogão industrial (R$ 2–8 mil), chapa (R$ 1–3 mil), fritadeira (R$ 800–3 mil), refrigeração — câmara ou geladeiras comerciais (R$ 5–25 mil), freezer, coifa. Usado de procedência ajuda a cortar 30–40% disso;
- Mobiliário e enxoval (10–15%): mesa, cadeira, louça, panela, utensílio. Conta que ninguém faz direito: louça quebra, e quebra rápido;
- Tecnologia (2–5%): computador ou tablet do caixa, impressora térmica (R$ 400–900 cada), internet decente. O sistema em si não precisa pesar: tem PDV grátis pra começar;
- Estoque inicial (5–8%): primeiro giro de insumos, bebidas e embalagens;
- Burocracia e projetos (3–5%): contador, taxas, projeto de bombeiros, licenças — detalhamos em documentação pra abrir restaurante.
O custo que fecha restaurantes: capital de giro
Aqui mora o erro clássico. A casa abre bonita, mas o caixa nasce zerado — e restaurante novo raramente se paga nos primeiros meses. Enquanto isso, aluguel, salários, fornecedores e luz vencem todo mês.
Reserve de 4 a 6 meses de custo fixo antes de abrir. Se seu custo mensal projetado é R$ 25 mil, são R$ 100 mil a R$ 150 mil de giro, além do investimento físico. Parece exagero até o terceiro mês chegar devagar — aí é a diferença entre atravessar e fechar.
Os custos invisíveis
- Luvas do ponto em rua boa: R$ 20 mil a R$ 100 mil+ que não voltam;
- Meses de reforma pagando aluguel sem faturar um real;
- Retrabalho de reforma quando a vigilância sanitária pede mudança (pia a mais, revestimento lavável, tela na janela);
- Taxa das maquininhas (1,5–3% por venda) e comissão dos apps de delivery (até 27% — fizemos essa conta em iFood vale a pena?);
- 13º, férias e encargos da equipe, que chegam antes do que parece.
Dá pra gastar menos?
Dá — cortando escopo, não qualidade. Comece só com delivery e valide o produto antes do salão. Alugue ponto que já foi restaurante (a infraestrutura cara já existe). Compre equipamento usado bom. Abra com cardápio enxuto, que pede menos equipamento e menos estoque. E não corte do capital de giro: é o único item da planilha que compra tempo, e tempo é o que restaurante novo mais precisa.