Como funciona a comissão do iFood para restaurantes
Todo mundo fala em 23%, mas o custo real do iFood soma três taxas — comissão, pagamento online e mensalidade — e pesa mais no pedido pequeno. Veja como chegar ao número por pedido e como baixá-lo.
Muito dono de restaurante acredita que a comissão do iFood se resume aos 23% por pedido. O número real é mais alto. A comissão declarada é só a primeira camada do custo: existem a taxa de pagamento online, a cobrança mensal e o efeito que essas taxas têm sobre pedidos de baixo valor. A diferença entre o que parece e o que você paga de verdade aparece direto na sua margem, todo mês.
No dia a dia com restaurantes que centralizam pedidos do iFood e do canal próprio na mesma tela, a cena se repete: ao abrir o extrato e fazer a conta completa pela primeira vez, o dono se surpreende com o custo efetivo real. Este artigo mostra como chegar a esse número por pedido, comparar os planos e aplicar estratégias pra reduzir o que você paga ao marketplace — sem precisar abandonar a plataforma.
As três taxas que compõem o custo real da comissão
A comissão percentual é a taxa que aparece no contrato. Mas ela não é o custo total. Há outros dois componentes que se somam no fim do mês e passam despercebidos na maioria das análises.
O que cada plano cobra por pedido
O iFood opera com dois planos principais em 2026. O Plano Básico cobra 12% de comissão mais uma taxa de pagamento online entre 3,2% e 3,5% conforme o contrato, e a entrega fica por conta do restaurante. O Plano Entrega cobra 23% de comissão mais essa mesma taxa de pagamento, e o iFood cuida da logística. Vale registrar: a partir de fevereiro de 2026, o Plano Entrega Flex pode chegar a 24%, conforme comunicação da própria plataforma.
O Plano Básico tende a compensar pra restaurantes com raio de entrega curto e motoboy próprio (ou contrato com um agregador externo). O Plano Entrega elimina a complexidade logística, mas a diferença de 11 pontos percentuais na comissão pesa muito quando multiplicada pelo volume do mês.
A cobrança mensal e a taxa de serviço que você não controla
Além da comissão, há uma cobrança mensal de R$ 110 no Plano Básico e R$ 150 no Plano Entrega, aplicada aos restaurantes que faturam acima de R$ 1.800 na plataforma. E há a taxa de serviço paga pelo cliente, entre R$ 0,99 e R$ 2,49 por pedido, que fica integralmente com o iFood e não entra no repasse.
Pra sentir o efeito em escala: um restaurante com 200 pedidos por mês paga R$ 150 de cobrança mensal, o que dá R$ 0,75 por pedido só de custo fixo rateado. Saber exatamente o que está pagando é o ponto de partida pra qualquer decisão sobre a comissão do seu restaurante.
Simulação com pedidos reais
Com os componentes claros, o próximo passo é calcular. Boa parte dos restaurantes nunca fez essa conta de forma completa, com todos os elementos juntos.
Por que pedido de valor baixo é o mais perigoso
Considere um pedido de R$ 30 no Plano Entrega. A comissão de 23% dá R$ 6,90. A taxa de pagamento de 3,2% adiciona R$ 0,96. Com CMV de 35% (R$ 10,50) e embalagem de R$ 1,50, os custos somam R$ 19,86 e sobram R$ 10,14 de margem bruta antes de impostos e demais custos fixos. Só a comissão e a taxa de pagamento consomem mais de 26% do valor bruto — sem contar ainda a produção.
Compare com um pedido de R$ 120: a comissão dá R$ 27,60, a taxa de pagamento R$ 3,84, o CMV R$ 42 e a embalagem R$ 1,50. Os custos somam R$ 74,94 e a margem bruta fica em R$ 45,06. O percentual de comissão é o mesmo, mas os custos fixos — embalagem e cobrança mensal rateada — pesam proporcionalmente muito menos no pedido de valor alto.
Como chegar ao custo efetivo total por pedido
A fórmula é direta: some a comissão percentual, a taxa de pagamento e a cobrança mensal rateada por pedido; aplique sobre o valor do pedido e some os custos de produção. O rateio da mensalidade é simples — divida o valor mensal pelo número de pedidos do período. Com 100 pedidos e cobrança de R$ 150, são R$ 1,50 por pedido de custo fixo; com 300 pedidos, cai pra R$ 0,50.
Antes de seguir, refaça esse cálculo com os seus números — ou deixe a calculadora de comissão do iFood fazer a conta pra você. Abra o extrato dos últimos três meses, some a comissão cobrada, a taxa de pagamento e a cobrança mensal, e divida pelo número de pedidos do período. Esse é o seu ponto de partida real.
O Programa Desconto na Comissão: quando ele ajuda de verdade
O iFood tem um mecanismo que pode zerar a comissão pra restaurantes de baixo volume. Mas ele funciona como reembolso, não como isenção automática — e esse detalhe muda tudo.
Como o reembolso funciona na prática
A comissão é cobrada normalmente em cada pedido durante o mês. No fim do período, se o restaurante ficou abaixo do teto contratado (em geral 30 pedidos concluídos), o iFood devolve o valor total da comissão junto ao repasse. O programa vale por 8 meses a partir da assinatura do contrato; depois disso, as condições comerciais originais voltam, sem reembolso.
O risco do teto e quem não se beneficia
O problema está na lógica do corte: se o restaurante fechar 31 pedidos ou mais no mês, a comissão é cobrada sobre todos, sem reembolso de nenhum. Não há proporcionalidade. O programa favorece quem está começando ou testando a plataforma — não quem depende do volume pra pagar as contas.
Se você já tem volume consolidado no iFood, esse programa não resolve o seu problema de margem. Ele é estratégia de entrada, não de sustentação, e não substitui uma análise completa da sua comissão.
iFood vs. outras plataformas: o que o mercado cobra em 2026
Antes de qualquer decisão estratégica, vale entender o que existe disponível no Brasil.
Comparação de taxas por plataforma
O Rappi adotou em 2026 uma estratégia diferente: comissão zero sobre as vendas, cobrando apenas a taxa de pagamento de cerca de 3,5%. A presença é concentrada nas capitais, e há uma taxa de adesão entre R$ 40 e R$ 150 conforme o plano. O Uber Eats, que anunciou retorno ao Brasil pro segundo semestre de 2026, divulgou uma proposta inicial de comissões entre 12% e 18%, sujeita a ajustes antes da contratação formal. O iFood mantém a faixa de 12% a 23%, com variações conforme o plano e os serviços adicionais.
Por que a diferença de taxa importa na margem mensal
Um restaurante com R$ 30.000 por mês no iFood, no Plano Entrega, paga em torno de R$ 6.900 só de comissão. No Rappi, com taxa efetiva de 3,5%, esse valor cairia pra R$ 1.050. A diferença de cobertura geográfica e base de clientes é real e precisa entrar na conta — mas o contraste financeiro é difícil de ignorar.
Esses números não são, por si só, uma recomendação de troca de plataforma. Servem pra embasar negociações por condições melhores ou pra justificar a diversificação de canais com base em dados, não em impressão.
Como reduzir a comissão do iFood no seu restaurante
Abaixo, as ações que realmente movem o número, com impacto direto no custo por pedido.
Migrar pro Plano Básico com entrega própria
Trocar o Plano Entrega pelo Plano Básico é a redução mais direta dentro do próprio iFood: de 23% pra 12% de comissão, 11 pontos percentuais por pedido. A condição é ter motoboy próprio ou parceria com um agregador de entrega. Pra restaurantes com raio de até 5 a 7 km e estrutura logística mínima, essa mudança costuma compensar em poucos meses.
Criar um canal próprio e migrar os clientes recorrentes
Essa é a estratégia mais eficaz a médio prazo: eliminar a comissão do marketplace pros clientes que já conhecem o restaurante. O mecanismo é simples — QR Code na embalagem com um incentivo pro primeiro pedido direto (frete grátis ou R$ 5 de desconto), link no WhatsApp e no Instagram. Um restaurante com R$ 30.000 por mês no iFood que migra 50% do volume pro canal próprio pode economizar entre R$ 4.000 e R$ 8.000 por mês. Tem um guia com as alavancas em como vender mais no delivery.
O MegaRestaurante foi feito pra esse cenário. O sistema mantém integração oficial com o iFood e a 99Food — os pedidos chegam sozinhos no PDV, sem redigitação — e, ao mesmo tempo, o restaurante opera um delivery próprio sem comissão por pedido, compartilhável direto no WhatsApp e no Instagram. Não precisa escolher entre um canal e outro: os dois rodam na mesma tela, com o mesmo controle de estoque, emissão de NFC-e e fechamento de caixa.
Aumentar o valor médio do pedido pra diluir os custos fixos
Pedido mínimo estratégico, combos bem montados e sugestão de adicional na hora do pedido reduzem o peso dos custos fixos por unidade. A mensalidade de R$ 150 rateada em 100 pedidos custa R$ 1,50 cada; nos mesmos 300 pedidos, cai pra R$ 0,50. A comissão percentual não muda, mas a margem por pedido melhora porque o custo fixo pesa menos. As táticas estão em como aumentar o ticket médio.
Sobre o pedido mínimo: o iFood permite definir um valor mínimo por pedido. Consulte os termos atualizados da plataforma e as normas de defesa do consumidor aplicáveis antes de ajustar essa configuração.
O que colocar em prática ainda esta semana
Entender as taxas não resolve nada sozinho. Boa parte dos restaurantes aprende esses números e continua pagando o mesmo, porque não age logo depois.
Calcule a sua comissão real antes de tudo
Abra o extrato do iFood dos últimos três meses e some: comissão cobrada, taxa de pagamento e cobrança mensal. Divida o total pelo número de pedidos do período. Esse é o seu custo médio real por pedido — não o percentual do contrato. Com esse número em mãos, qualquer decisão sobre plano, canal ou preço fica mais fácil de priorizar.
Teste o canal próprio com 10% do volume primeiro
Não precisa abandonar o iFood nem mudar tudo de uma vez. Escolha um grupo de clientes recorrentes e convide pro canal direto com um incentivo simples: frete grátis ou R$ 5 de desconto no próximo pedido. Ponha o convite na embalagem e no status do WhatsApp. Meça a adesão por 30 dias antes de escalar.
O número real é o que muda a decisão
A comissão do iFood não é um custo fixo e imutável — é uma variável que você controla mais do que imagina. O primeiro passo é conhecer o número real por pedido; o segundo é agir sobre ele ainda este mês. Se a dúvida é se a plataforma compensa pro seu caso, a gente fez essa conta em iFood vale a pena?.