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Finanças12 de julho de 2026 · 7 min de leitura

Como calcular a taxa de entrega do delivery (sem pagar pra entregar nem espantar cliente)

Frete de graça você paga do próprio bolso; frete caro o cliente abandona no carrinho. O meio-termo tem conta — por bairro ou por km — e começa sabendo quanto custa uma entrega de verdade.


Taxa de entrega é uma das poucas linhas do delivery onde dá pra errar pros dois lados: cobra de menos e você entrega no prejuízo; cobra de mais e o cliente fecha o carrinho. O jeito de acertar não é copiar o vizinho — é saber quanto custa uma entrega sua e construir a taxa a partir daí.

Passo 1: quanto custa uma entrega de verdade

Some tudo que uma entrega consome, do jeito que ela acontece na sua casa:

  • Entregador. Motoboy fixo? Divida o custo mensal (salário mais encargos, algo entre R$ 1,8 mil e R$ 2,5 mil) pelo número de entregas do mês. Mil entregas = R$ 2 a R$ 2,50 cada só de mão de obra. Motoboy por corrida ou app terceirizado? Costuma sair de R$ 6 a R$ 12 por entrega, variando com a distância;
  • Combustível e desgaste da moto, se ela for sua ou da casa;
  • Embalagem, que não é frete mas anda junto — a conta está em embalagem para delivery.

Guarde esse número por entrega. Ele é o seu piso: cobrar abaixo dele é subsidiar o frete do cliente com o seu lucro.

Passo 2: escolha o modelo — por bairro ou por km

Por bairro (faixas) é o mais simples e o que o cliente entende na hora. Você agrupa a região em faixas — bairros colados na loja numa faixa mais barata, os mais distantes em faixas maiores — e coloca um valor pra cada uma. Fácil de comunicar, fácil de operar.

Por km (distância) é mais justo e casa com quem entrega num raio grande: uma taxa-base cobre os primeiros quilômetros e um valor por km extra cuida do resto. Mais preciso, um pouco menos intuitivo pro cliente.

Pra maioria das casas de bairro, faixa por região resolve. Pra quem entrega longe e variado, por km protege melhor a margem.

Passo 3: a margem (e o que NÃO fazer)

Sobre o custo, alguns colocam uma margem pequena; outros repassam só o custo e ganham no prato. As duas estão certas — o que não pode é a armadilha clássica: embutir o frete escondido no preço do produto pra anunciar "frete grátis". Isso encarece o seu cardápio na comparação lado a lado do marketplace, e você perde o cliente na busca antes mesmo de ele ver que a entrega era "grátis". Se for oferecer frete grátis, que seja uma decisão de marketing consciente — veja a seguir.

Frete grátis como alavanca (não como padrão)

Frete grátis funciona quando trabalha a seu favor, não como regra da casa. O uso mais inteligente é o gatilho de ticket: "frete grátis acima de R$ 60". O cliente que ia gastar R$ 45 adiciona uma sobremesa pra bater a faixa — você paga o frete, mas vendeu mais e com margem. É a mesma lógica de como aumentar o ticket médio. Faça a conta: se o frete custa R$ 6 e o item extra deixa R$ 15 de margem, o "grátis" saiu no lucro.

A distância também define o raio de entrega

Nem todo pedido vale a pena. Entrega a 8 km com moto própria pode significar 40 minutos de motoboy fora — comida chegando fria, avaliação ruim e a próxima entrega atrasada. Definir um raio máximo e faixas coerentes é parte da precificação. E rota importa: levar dois ou três pedidos na ordem certa derruba o custo por entrega. É o que um app de entregas com rota calculada resolve — o motoboy volta antes e a conta do frete cai.

Juntando tudo num exemplo

Custo por entrega apurado: R$ 5. Faixas: bairros vizinhos R$ 6, faixa média R$ 9, faixa distante R$ 13, acima de 7 km não entrega. Gatilho: frete grátis acima de R$ 70 nos bairros vizinhos. Resultado: cada entrega paga o próprio custo, o cliente perto sente o frete barato, o cliente longe paga o que a distância custa e o "grátis" trabalha pra subir o ticket. Nenhum pedido sai no prejuízo por descuido — e a taxa deixou de ser chute.

Fechou a conta do frete, revise a do prato: as duas juntas é que definem se o delivery dá dinheiro. Comece por como precificar o cardápio e pelo CMV do restaurante.

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